Crítica ao filme "Nós que aqui estamos por vós esperamos"
Gostei muito do filme de Marcelo Masagão, confesso que a primeira
impressão que tive não me agradou, pois demorei um pouco a compreender certos
pontos, porém depois prendeu muito minha atenção, sendo que adorei a abordagem.
As breves histórias do século XX que o filme retrata falam exatamente a realidade,
pois afinal os personagens são reais, não abordando apenas os grandes nomes que
realizaram feitos históricos, aborda também as pessoas, que apesar de não serem (re)conhecidas, fizeram a diferença. Enquanto tudo estava voltado
para a guerra eram elas que faziam com que o desenvolvimento industrial,
comercial, político continuasse a progredir. E não lembrando-se apenas da
guerra mas também de todas as outras transformações que este século nos deixou
como herança, com toda a sua mecanização, desenvolvimento de inventos
mirabolantes (e que hoje são essenciais), todo o rótulo e estereótipos que começaram a ser quebrados ou, ainda
mais enfatizados, como a liberdade de crença por exemplo. A trilha sonora
também é genial, pois ela sempre acaba se encaixando perfeitamente com as
imagens e as histórias, fazendo com que ao assistirmos o filme o emocional
fique sempre condizendo com o que está se passando.
Um dos pontos que achei interessante
é como foram retratadas algumas histórias de mulheres durante a guerra, enquanto seus maridos, pais, irmãos... estavam lutando, elas
trabalhavam horas e horas em troca de salários miseráveis para sustentar a
casa; elas eram os homens da casa. Contudo, quando alguns desses homens
retornam elas devem passar, cozinhar, limpar, como senão tivessem conhecido o
trabalho árduo de uma fábrica, como senão fossem pessoas produtivas fora de
casa, como se fossem totalmente independentes fingindo que nada houve e que
suas vidas voltaram a ser como antes. Mas ai eis que existiram as mulheres que
não aceitaram mais a submissão imposta pela sociedade, foram rotuladas,
sofreram preconceito e muitas vezes presas apenas por quererem seus direitos de
votar nas eleições, serem donas de seus próprios corpos e poderem evitar ter
filhos, usarem minissaia, dançarem, usar biquíni e mais uma infinidade de
coisas que não as deixariam menos mulheres ou de pior índole das quais não
lutavam por esses direitos.
Foi
genial a forma como foram usadas as cenas no cemitério pois elas continuam o
tempo todo nos lembrando aonde tudo sempre acaba, aonde nós vamos acabar mas
não apenas de uma forma real e sim subjetiva também de que no fim não seremos
nada. No final não irá fazer diferença se a pessoa foi rica ou pobre, todos
acabaram do mesmo jeito, e o mais importante nos mostra,
de uma certa forma, até chocante com a frase marcante “Nós que aqui estamos por
vós esperamos” nos fazendo enxergar de que no fim todas as milhões de mortes
causadas pelas destruições do século XX, todas foram causadas pelas armas que o
homem inventou, e as mesmas são as que o destruíram e continuarão a destruir.
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