Here we go again 2017/2 - Educação em Museus

 Nesse semestre 2017/2 estou fazendo a disciplina de "Educação em Museus" com a Prof. Zita Possamai, então novamente ela irá utilizar do blog como uma das ferramentas de avaliação nesse semestre.
        Na segunda aula vimos alguns textos sobre o início da relação entre os Museus e as Escolas. O texto que li para apresentação das ideias aos colegas foi "A construção da relação Museu- Escola no Rio de Janeiro entre 1832 e o final dos anos de 1927. Análise das formas de colaboração entre o Museu Nacional e as instituições da educação formal." das autoras  Luciana Sepúlveda KOPTCKE; Maria Margareth LOPES; Marcelle PEREIRA.
        A partir de documentos do Arquivo do Museu Nacional como atas, livros de registro de visitantes, regimentos internos e outros de cunho normal para os museus, as autoras basearam sua pesquisa que pretendia identificar o estreitamento de laços entre essas duas instituições, museus e escolas, sendo que a partir do séc. XIX, família, igreja, escola e museu representavam unidades tradicionais de transmissão de conhecimentos, valores, práticas sociais e culturais consideradas como legados.
         Criado em 1818 a partir de um decreto de Dom João VI, o Museu Nacional surge para promover o acervo (gabinete de curiosidade) de ciências naturais. Primeiramente aberto para estudiosos, pesquisadores e viajantes, e também para as elites locais, com quem a Corte buscava estreitar relações dando-lhes ideia de valorização das mesmas e de um patrimônio coletivo, para que em troca sustentassem sua permanência no Brasil. Apenas em 1821 teve sua primeira exposição pública, restrita a quatro salas para público geral, este subentendia-se que já fosse educado. Professores, viajantes, estudiosos, naturalistas, diplomatas, dentre outras pessoas dotadas de graus avançados de estudo poderiam solicitar visitas a outras salas do Museu e também em outros dias além das quintas-feiras. Há registros de aulas ministradas para cursos da Academia de História Natural e Zoologia, notando-se assim como a escola já percebe o Museu como um aliado nos processos de construção do conhecimento.
        Porém ao mesmo tempo que percebemos esse vínculo entre a escola e o museu se idealizando, podemos perceber como por outro lado as desigualdades também vão surgindo, pois as segregações de públicos limitam e inferiorizam os que tinham escolaridade portanto as classes privilegiadas. Em 1897 há registros da visita de uma escola primária ao Museu pois os objetos começam a auxiliar nas práticas escolares, como laboratórios. Em 1911, já na Quinta da Boa Vista, observa-se o interesse do Museu na criação de um museu escola de história natural nas dependências do Museu, percebendo-se uma relação de complementariedade do ensino. 
        A escola acaba tornando-se uma mediadora que aproxima o aluno ao museu e consequentemente que consolida a produção do conhecimento. Em 1927 o Museu passou por uma grande reforma tendo vários de seus espaços repensados para que a integração museu-escola se estreitasse ainda mais, como a sala de conferências que até 1932 já havia passado exibido diversos filmes para escolas, também públicas, principalmente no contexto do Movimento da Escola Nova.
      Sejam quais forem os métodos expositivos percebe-se como os museus e as escolas, tendo em vista principalmente o olhar das autoras sobre o Museu Nacional, influenciam nos processos de ensino-aprendizagem pra promoção do conhecimento, uma ajuda mútua para construção de ideais, valores, patrimônios.


REFERÊNCIAS:

KOPTCKE, Luciana Sepúlveda; LOPES, Maria Margareth; PEREIRA, Marcelle. A construção da relação Museu- Escola no Rio de Janeiro entre 1832 e o final dos anos de 1927. Análise das formas de colaboração entre o Museu Nacional e as instituições da educação formal. XXIV Simpósio Nacional de História, 2007. 9p.

POSSAMAI, Z. R. Colecionar e educar: o Museu Julio de Castilhos e seus públicos (1903 1925)Varia História (UFMG. Impresso), v. 30, p. 365-389, 2014.
FARIA, Ana Carolina Gelmini de. Educação em museus: um mosaico da produção brasileira em 1958. Mouseion, Canoas, n. 19, dez. 2014, p. 53-66.
PEREIRA, Marcelle Regina Nogueira. Educação Museal: entre dimensões e funções educativas: a trajetória da 5ª Seção de Assistência ao Ensino de História Natural do Museu Nacional, 2010. 180p. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio do Centro de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO e do Museu de Astronomia e Ciências Afins – MAST, Rio de Janeiro, 2010. p. 18-73.


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