Vivência Santa Casa

     Nossa aula hoje, 28/09, foi no Centro Histórico-Cultural Santa Casa de Misericórdia onde realizamos uma vivência do projeto educativo elaborado por nossas colegas de Curso Julia Jaeger, Kimberly Pires e Alahna Rosa. Elas desenvolveram no segundo semestre de 2016, para esta mesma disciplina “Educação em Museus”. Nossa vivência tinha como intuito servir de exemplo e inspiração para a elaboração de nosso projeto nesse semestre (2017/2).
      O nome era "OFICINA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: Fatos do passado e do presente."

       Começamos então pela visita guiada no Museu Joaquim Francisco do Livramento, onde a colega Kimberly falou um pouco sobre o surgimento da Santa Casa, em Portugal, e como em 1803 ela chegou em Porto Alegre, graças aos esforços de Joaquim Francisco do Livramento, nome ao qual foi denominado o Museu como forma de homenageá-lo. As Santas Casas surgem em um contexto religioso, como em POA, por exemplo, em que primeiro foi construído sua capela e após suas casas de acolhimento, como eram chamadas antes de serem enfermarias.
       Nesse viés religioso as imagens de santos presentes na exposição trazem a história das Santas de Roca, as quais eram feitas de madeira e articuladas para assim serem vestidas dependendo da ocasião. O aspecto então trazido foi de que os cabelos das santas são verdadeiros, acredita-se que eles eram doados em agradecimento a graças alcançadas. Nesse ponto é trazido a questão da violência contra a mulher, em que mulheres do séc XVIII tinham seus cabelos cortados como punição, por desonrar pai ou marido, pois assim se assemelhariam as prostitutas, as quais eram identificadas por seus cabelos curtos.
     Em seguida foi apresentada a história da Roda dos Expostos (1837-1940) onde crianças eram deixadas na Santa Casa para adoção. Percebe-se no contexto da época que principalmente as crianças eram deixadas porque as mães tiveram envolvimento com rapazes que não assumiam as crianças, e isso para a época seria uma desonra para a família. Grande parte das crianças deixadas eram brancas, muitas vezes com bilhetes ou jóias, para assim quando crescessem as mãe pudessem identificá-las, subentende-se então por essas características que as mães eram de elite, não sendo então o problema econômico o empecilho para terem as crianças. Os meninos deixados eram enviados aos 7 anos para o Arsenal de Guerra onde aprendiam profissões como ferreiro, marceneiro, etc, e as meninas com 8 anos eram deixadas com amas de criação, que recebiam salário da Santa Casa para criar estas meninas para o casamento ensinando-lhes a cozinhar, lavar, costurar, etc. As meninas ganhavam um dote (valor dado ao marido após o casamento) fato que fazia com que muitos rapazes se casassem com essas meninas deixadas na Santa Casa, e após ganharem o dote abandoná-las, muitas vezes as deixando grávidas. Então aqui percebe-se um novo ciclo da roda.
  Passamos então para a questão das mulheres trabalhando na Santa Casa como enfermeiras e mais tarde na botica, sendo que primeiro essas profissões eram exercidas apenas pelas irmãs. Mais tarde foram administrados cursos sendo que para frequentarem as moças deveriam ter autorização de seus pais ou maridos para frequenta-los, parte delas muitas vezes começavam os cursos com autorização do pai mas ao casaram-se eram proibidas pelos maridos acabando por interromperem. Podemos perceber com esse fato como as primeiras profissões concedidas as mulheres estão sempre ligadas ao cuidar, como professoras, enfermeiras, donas de casa, etc


 
 Após visita guiada fomos para sala realizar a oficina com as caixas pedagógicas. Fomos divididos em três grupos, cada grupo com sua caixa e materiais. Na tampa da caixa do nosso grupo estava o relato de uma mulher sobre os abusos de violência física e psicológica de seu marido, o qual pela declaração não se importava dela estar grávida, realizando ameaças até mesmo dentro do hospital quando ela estava internada, pela forma em que estava escrito percebe-se supõe-se ser do fim do séc XIX. 
      Após cada integrante do grupo pegou um documento da caixa, alguns eram estatísticas sobre violência no Brasil, vimos também alguns incisos da Lei Maria da Penha falando os tipos de violência contra a mulher (físico, psicológico, patrimonial, sexual e moral) e suas penas, e por último outros dois relatos de violência contra a mulher, um de 1940 e outro de 1980. Após fizemos uma discussão entre o grupo interligando a fatos apresentados na exposição, sobre experiências de vida, as desigualdades de gênero, sendo que esta ultima acaba refletindo em diversas áreas seja no mercado de trabalho, social, familiar, etc. 
      Por fim cada grupo apresentou a história de sua caixa para o grande grupo, realizou-se um debate e reflexão coletivo sobre todos os temas abordados e assistimos a alguns vídeos atuais sobre questões de violência contra a mulher. Reflexões que mesmo sendo pertencentes a nosso passado estão interligadas a todo momento ao nosso presente, infelizmente, mas que se discutirmos e ensinarmos as novas gerações, poderão não fazer parte de nosso futuro. NÓS PODEMOS! 

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